{"id":6334,"date":"2022-03-01T09:57:31","date_gmt":"2022-03-01T12:57:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mercosulnewsagora.com.br\/?p=6334"},"modified":"2022-03-01T09:57:31","modified_gmt":"2022-03-01T12:57:31","slug":"saida-de-ministros-deve-provocar-maior-esvaziamento-do-governo-em-25-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mercosulnewsagora.com.br\/v2\/saida-de-ministros-deve-provocar-maior-esvaziamento-do-governo-em-25-anos\/","title":{"rendered":"Sa\u00edda de ministros deve provocar maior esvaziamento do governo em 25 anos"},"content":{"rendered":"<p>A sa\u00edda de ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL) para disputar as elei\u00e7\u00f5es de outubro marcar\u00e1 o maior esvaziamento da Esplanada com a desincompatibiliza\u00e7\u00e3o dos cargos nesse mesmo per\u00edodo, proporcionalmente, em quase 25 anos. Se confirmada a troca em dez minist\u00e9rios no pr\u00f3ximo dia 31, como se prev\u00ea, quase metade das 23 pastas passar\u00e1 por reestrutura\u00e7\u00e3o. As substitui\u00e7\u00f5es v\u00e3o ocorrer no momento em que o presidente precisa reverter \u00edndices econ\u00f4micos desfavor\u00e1veis para refor\u00e7ar a campanha pelo segundo mandato.<\/p>\n<p>Os minist\u00e9rios que v\u00e3o perder titulares por motivos eleitorais controlam, juntos, um or\u00e7amento de R$ 20 bilh\u00f5es, somente para investimentos. Bolsonaro aposta na elei\u00e7\u00e3o de um time de ministros para ter mais aliados nos governos estaduais e no Congresso, principalmente no Senado, onde o Pal\u00e1cio do Planalto enfrenta dificuldades na articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na lista dos futuros candidatos est\u00e3o Tarc\u00edsio de Freitas (Infraestrutura), que vai disputar o governo de S\u00e3o Paulo; Rog\u00e9rio Marinho (Desenvolvimento Regional), postulante ao Senado pelo Rio Grande do Norte; e Fl\u00e1via Arruda (Secretaria de Governo), que tamb\u00e9m concorrer\u00e1 a uma cadeira no Senado, mas pelo Distrito Federal.<\/p>\n<p>As dez substitui\u00e7\u00f5es previstas e admitidas por Bolsonaro s\u00e3o superiores \u00e0s realizadas desde 1998, nos respectivos anos de elei\u00e7\u00f5es gerais, pelos ent\u00e3o presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) (mais informa\u00e7\u00f5es nesta p\u00e1gina). O ex-presidente Michel Temer (MDB) trocou 12 ministros \u00e0s v\u00e9speras do prazo legal, em abril de 2018. Temer, no entanto, tinha mais integrantes em seu primeiro escal\u00e3o (29) e, por isso, as baixas representaram 41% da equipe. No caso de Bolsonaro, as sa\u00eddas dos ministros para a campanha atingir\u00e3o 43% das pastas. Os \u00edndices de substitui\u00e7\u00f5es em governos anteriores, nesse per\u00edodo, variaram entre 22% e 30%<\/p>\n<p>A troca de ministros, no fim deste primeiro trimestre, d\u00e1 aos nomeados nove meses de gest\u00e3o de or\u00e7amentos bilion\u00e1rios. \u00c9 por isso que h\u00e1 no Centr\u00e3o uma disputa de bastidores pelos cargos. O exemplo mais emblem\u00e1tico est\u00e1 no PL, partido ao qual se filiou Bolsonaro. Controlado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, o PL quer voltar a ter influ\u00eancia sobre o Minist\u00e9rio da Infraestrutura. A pasta \u00e9 hoje chefiada por Tarc\u00edsio, que deixar\u00e1 o cargo para concorrer ao Pal\u00e1cio dos Bandeirantes.<\/p>\n<h4>Queda de bra\u00e7o<\/h4>\n<p>Tarc\u00edsio espera ter como sucessor seu secret\u00e1rio executivo, Marcelo Sampaio, genro do ministro da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, Luiz Eduardo Ramos. Existe, por\u00e9m, uma queda de bra\u00e7o pela vaga. A c\u00fapula do PL, que em governos passados sempre controlou a \u00e1rea de transportes, prev\u00ea crescimento substancial da bancada na C\u00e2mara at\u00e9 o fim deste m\u00eas, quando termina o prazo para que deputados mudem de partido sem perder o mandato. Com essa credencial, espera ampliar sua participa\u00e7\u00e3o no governo. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio Tarc\u00edsio &#8211; hoje sem partido &#8211; est\u00e1 prestes a se filiar ao PL.<\/p>\n<p>A ministra Fl\u00e1via Arruda \u00e9 do PL, mas tamb\u00e9m vai deixar o cargo para disputar o Senado. Quer emplacar na cadeira o secret\u00e1rio executivo, Carlos Henrique Sobral, mas enfrenta resist\u00eancias de outros partidos do Centr\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao responder ontem sobre como ficar\u00e1 o novo Minist\u00e9rio, Bolsonaro disse que tudo est\u00e1 &#8220;pr\u00e9-acertado&#8221;. Na semana passada, ele chegou a calcular que seriam 11 substitui\u00e7\u00f5es, mas, depois disso, o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, F\u00e1bio Faria, anunciou que ficaria na equipe. &#8220;O da Infraestrutura j\u00e1 est\u00e1 decidido quem vai ser o substituto&#8221;, afirmou o presidente \u00e0 R\u00e1dio Jovem Pan, ignorando a disputa no Centr\u00e3o. &#8220;Da Secretaria de Governo est\u00e1 bastante encaminhado. Aceito sugest\u00f5es do respectivo ministro (sic), mas n\u00e3o quer dizer que v\u00e1 aceitar o nome indicado.&#8221;<\/p>\n<p>Vice-presidente do PL, o deputado Capit\u00e3o Augusto (SP) avaliou como &#8220;dif\u00edcil&#8221; que parlamentares sejam chamados para a equipe porque os que poderiam ser ministros tamb\u00e9m ter\u00e3o compromissos eleitorais nos Estados. &#8220;O or\u00e7amento estar\u00e1 comprometido. Quem entrar s\u00f3 vai executar o que os ministros deixaram. E outra: os melhores nomes tamb\u00e9m v\u00e3o ser candidatos&#8221;, disse ele.<\/p>\n<h4>Reacomodar aliados<\/h4>\n<p>Trocas ministeriais costumam servir para que presidentes reacomodem aliados na equipe, na tentativa de obter apoio pol\u00edtico. Al\u00e9m de dispensar 27% do primeiro escal\u00e3o para as campanhas nos Estados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criou uma nova pasta, a da Reforma Institucional, em 1998, no \u00faltimo ano de seu primeiro mandato. A sigla do novo minist\u00e9rio &#8211; Mirin &#8211; era motivo de chacota no Congresso por causa da finalidade pouco clara. Surgiu apenas para acolher o PFL. O ent\u00e3o titular, Carlos Albuquerque, caiu por causa da reacomoda\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p>Com o ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), nove ministros pediram para se desincompatibilizar em 2006, no \u00faltimo ano do primeiro governo. O Minist\u00e9rio do petista tinha 30 integrantes. Uma das trocas ocorreu nos Transportes, quando o ent\u00e3o titular, Alfredo Nascimento (PL), hoje aliado do presidente Jair Bolsonaro, saiu para concorrer ao Senado. Ap\u00f3s garantir assento no Congresso, Nascimento voltou para a pasta. Em 2014, a ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff (PT) substituiu dez auxiliares por causa do calend\u00e1rio eleitoral. Mas seu governo tinha muito mais minist\u00e9rios &#8211; o recorde de 39 pastas.<\/p>\n<p>FHC foi o que menos fez trocas. Apenas sete ministros deixaram os cargos em virtude da movimenta\u00e7\u00e3o eleitoral, em 1998. Em 2002, foram seis ministros-candidatos. No per\u00edodo, o governo tucano n\u00e3o teve mais do que 27 pastas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sa\u00edda de ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL) para disputar as elei\u00e7\u00f5es de outubro marcar\u00e1 o maior esvaziamento da Esplanada com a desincompatibiliza\u00e7\u00e3o dos cargos nesse mesmo per\u00edodo, proporcionalmente, em quase 25 anos. 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