{"id":5155,"date":"2021-03-29T09:43:05","date_gmt":"2021-03-29T12:43:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mercosulnewsagora.com.br\/?p=5155"},"modified":"2021-03-29T09:43:06","modified_gmt":"2021-03-29T12:43:06","slug":"stf-julga-nesta-segunda-acao-para-reverter-anulacao-de-terras-indigenas-em-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mercosulnewsagora.com.br\/v2\/stf-julga-nesta-segunda-acao-para-reverter-anulacao-de-terras-indigenas-em-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"STF julga nesta segunda a\u00e7\u00e3o para reverter anula\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas em Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As 26 fam\u00edlias na aldeia afetadas pela decis\u00e3o votada em 2014 hoje sofrem com pouco espa\u00e7o e agrot\u00f3xicos de fazendas vizinhas.<\/h3>\n\n\n\n<p>O julgamento da a\u00e7\u00e3o para reverter a anula\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena (TI) Guyraroka, do povo Guarani Kaiow\u00e1 em Mato Grosso do Sul ser\u00e1 retomado na segunda-feira (29), pelo Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n\n\n\n<p>O processo foi votado em 2014, pela Segunda Turma do STF, e resultou na anula\u00e7\u00e3o do procedimento administrativo de demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas. Agora, o recurso \u00e9 movido pela pr\u00f3pria comunidade ind\u00edgena, que usa como principal argumento a aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o da comunidade da TI Guyraroka no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo Guarani e Kaiow\u00e1 tenta reaver a demarca\u00e7\u00e3o do tekoha (no portugu\u00eas, lugar onde se \u00e9) Guyraroka desde a anula\u00e7\u00e3o, em 2014. S\u00e3o 26 fam\u00edlias na aldeia, que hoje vivem numa \u00e1rea de 55 hectares, uma parcela dos 11 mil hectares identificados e delimitados pela Funai em 2004 e declarados como de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional ind\u00edgena pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a em 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Conselho Ind\u00edgena Mission\u00e1rio, a comunidade vive cercada por grandes fazendas, que ocupam seu territ\u00f3rio para o plantio, gerando amea\u00e7as \u00e0s lideran\u00e7as e at\u00e9 a intoxica\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adultos pelo veneno despejado nas lavouras, separadas da aldeia apenas pelas cercas de arame.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/banner.pontaporainforma.com.br\/www\/delivery\/lg.php?bannerid=0&amp;campaignid=0&amp;zoneid=82&amp;loc=https%3A%2F%2Fwww.pontaporainforma.com.br%2Fstf-julga-nesta-segunda-acao-para-reverter-anulacao-de-terras-indigenas-em-mato-grosso-do-sul%2F&amp;referer=https%3A%2F%2Fwww.pontaporainforma.com.br%2F&amp;cb=e7d5244659\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O risco de um poss\u00edvel despejo, caso a anula\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja revertida, e a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e viola\u00e7\u00f5es vivenciadas pelos Guarani e Kaiow\u00e1 em Mato Grosso do Sul fizeram com que o caso fosse levado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que foi \u00e0 terra ind\u00edgena durante sua visita ao Brasil, em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>A CIDH classificou a situa\u00e7\u00e3o do povo Guarani e Kaiow\u00e1 como uma \u201cgrave situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u201d e emitiu, em 2019, medidas cautelares em favor dos ind\u00edgenas da TI Guyraroka, solicitando ao Estado brasileiro que tome provid\u00eancias para garantir o direito \u00e0 vida e \u00e0 integridade pessoal dos membros da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos na expectativa desse julgamento, pedimos aos ministros que avaliem nossa situa\u00e7\u00e3o e a precariedade onde estamos vivendo hoje\u201d, reivindica Erileide Domingues Guarani Kaiow\u00e1, moradora do tekoha Guyraroka. \u201cVamos nos manifestar e insistir pela vit\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de representatividade da comunidade no processo em 2014 \u00e9 inconstitucional, j\u00e1 o direito de acesso \u00e0 Justi\u00e7a \u00e9 garantido expressamente aos povos ind\u00edgenas no artigo 232 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro argumento usado pela defesa da comunidade ind\u00edgena \u00e9 o fato de que a decis\u00e3o baseou-se na tese inconstitucional do marco temporal, ainda em discuss\u00e3o no Supremo, e foi tomada a partir de um mandado de seguran\u00e7a. Esta modalidade jur\u00eddica n\u00e3o permite a apresenta\u00e7\u00e3o de novas provas e o pr\u00f3prio STF vem decidindo que ela n\u00e3o deve ser utilizada para discutir demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas, devido \u00e0 complexidade do tema.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento se dar\u00e1 em plen\u00e1rio virtual, onze ministros votam numa plataforma online, ao longo de uma semana, sem necessidade de reuni\u00e3o por videochamada e tampouco espa\u00e7o para sustenta\u00e7\u00e3o oral das partes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Processo<\/h3>\n\n\n\n<p>O povo Guarani e Kaiow\u00e1 chegou a recorrer da decis\u00e3o da Segunda Turma, mas seus pedidos de admiss\u00e3o foram negados, e o processo transitou em julgado em meados de 2016. Inconformada, a comunidade da TI Guyraroka ingressou em 2018 com a A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria (AR) 2686, que busca reverter o julgamento no qual foi ignorada.<\/p>\n\n\n\n<p>A rescis\u00f3ria come\u00e7ou a ser julgada em 2018, mas foi retirada de pauta ap\u00f3s um pedido de vistas do ministro Edson Fachin. A ministra Carmen L\u00facia e o ministro Luiz Fux, relator do caso, votaram contra o pedido da comunidade. A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) manifestou-se favoravelmente aos ind\u00edgenas. Em 2019, o julgamento chegou a retornar \u00e0 pauta da Corte, mas foi novamente adiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Correio do Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As 26 fam\u00edlias na aldeia afetadas pela decis\u00e3o votada em 2014 hoje sofrem com pouco espa\u00e7o e agrot\u00f3xicos de fazendas vizinhas. 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