Londres, 17 abr (EFE).- O presidente do Equador, Lenín Moreno, qualificou o fundador do site “WikiLeaks”,
Julian Assange, de “terrorista cibernético”, que selecionava as informações de acordo com “suas
conveniências” e intervinha em assuntos de outros países. Moreno fez essa afirmação em entrevista à
emissora “BBC” divulgada hoje, depois que Assange foi detido na quinta-feira da semana passada na
embaixada do Equador em Londres após o país sul-americano revogar o asilo político que havia concedido
ao jornalista australiano em 2012
Segundo o presidente equatoriano, Assange selecionava as informações de acordo com seus
“compromissos ideológicos” e intervinha em assuntos de outros países amigos, como nas eleições dos
Estados Unidos (2016) e na questão da Catalunha (Espanha), algo que não podia fazer por sua condição
de asilado. Ao ser questionado sobre se Assange é um agente russo, Moreno se limitou a dizer que, seja
por omissão ou por ação, “parece que sim”. O chefe de Estado equatoriano afirmou que o jornalista tratava
“bastante mal” o pessoal da embaixada, “de maneira despótica” e, inclusive, chegou a agredir alguns
guardas, “algo que definitivamente não podia ser tolerado e que, volto a ressaltar, acabou com a nossa
paciência”, disse. Entre outras coisas, Moreno assinalou que Assange instalava câmeras e tomava suas
próprias decisões sem consultar os funcionários do governo equatoriano da embaixada e publicava fotos da
intimidade da família do presidente. Moreno ressaltou que uma pesquisa revelou que quase 80% dos
equatorianos queriam que Assange saísse do edifício diplomático e lembrou que seu país o acolheu e o
alimentou durante os anos em que permaneceu refugiado na embaixada. Assange segue em uma prisão do
Reino Unido após ter sido detido na embaixada do Equador por descumprimento das condições de
liberdade condicional em 2012, relacionadas com um pedido de extradição da Suécia na Justiça britânica e
deu início a um caso de difícil solução, pois o Reino Unido se negou reiteradamente a oferecer um salvo-
conduto ao ativista que lhe permitiria seguir rumo ao país sul-americano. EFE




